Ressuscita-me
publicado por José Augusto em 28.março.2008 | lido 99 vez(es)
Ultimamente, tenho pensado muito na letra de uma antiga canção intitulada “O amorâ€. A letra foi escrita pelo famoso poeta russo do século XX, Wladimir Maiakovski, e a música foi composta por Caetano Veloso. A letra fala da chegada do amor como um momento de milagre e renovação da vida. Maiakovski foi um homem que viveu grandes e intensos conflitos em sua vida pessoal, amando uma mulher que jamais seria de fato sua, sonhando com uma sociedade em que a justiça e a igualdade fossem plenamente alcançadas, tentando fazer de sua arte um ato polÃtico. Desesperado, suicidou-se em 1930, com apenas 37 anos de idade.
De qualquer maneira, o grito de Maiakovski, que ecoa em Caetano, configura-se como um autêntico anseio por vida e ressurreição. É um desejo profundo de amor e reciprocidade que acabam presos na garganta do poeta. Nossos poetas clamam por vida, clamam por ressurreição, clamam por uma Páscoa que, no caso deles, parece ainda distante e inalcançável.
Talvez, quem sabe, um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
eles a ressuscitarão
O século 30 vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Porque sou poeta e ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais exista amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se por uma casa ou um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A famÃlia se transforme
E o pai
Seja, pelo menos, o universo
E a mãe
Seja, no mÃnimo, a terra
A terra, a terra.
Wladimir Maiakovski - Letra da poesia, publicado no blog do Gladir Cabral
Para ver um clipe da música com interpretação de Renato Braz, clique”>
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